Ela tinha um medo fatal de enfrentar o mundo lá fora, e vivia dissipando a realidade. Mas na verdade, isso nem fazia diferença. Enquanto pudesse sonhar, a sua vida real era interior. E nessa vida real, ela tinha tudo que queria.
Ela era tudo que podia.
Ela era feita de azul!
E nada, jamais, poderia derrubar o seu azul. Nada poderia seque atingir o seu azul.
Continuou então, vivendo na sua paz imensa. E nas épocas negras, quando o céu lhe parecia escuro demais, virava estrela.
Sâmara Carvalho é canceriana, dramática ao extremo (isso é pleonasmo?) e sofre seriamente de fertilidade mental. Faz Rádio e TV, e é uma aspirante a publicitária, roteirista, diretora, atriz... conhece tantos lados de si, que não consegue simplesmente se prender a um. Adora fotografia, mas a sua paixão mesmo é fotografar sem imagens, apenas com as palavras. No tempo livre, escreve, lê, assiste e fica falando de si própria na terceira pessoa.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A carta que eu nunca te escreverei
'Carta para você:
Você me ganha fácil demais. Me pergunto como ainda não desisti de nós. No começo, quando ainda éramos um casal utópico que existia apenas em minha mente fértil, era compreensível. Eu fazia de você o tipo perfeito - o meu tipo. Mas agora, depois de todo esse tempo e todo esse desgaste, e após o esteriótipo de "tipo perfeito" há muito ter sido destruído como ainda posso enxergar tantas coisas em você que me mantêm dessa forma? Você já percebeu quantas vezes eu repeti a palavra "ainda"? Isso não te faz perceber o quanto eu estou cansada de tudo isso? Não, não faz. E sabe o por quê? Por que você não é bom. Nem pra mim e, talvez, nem pra si próprio. Mas sabe o que é? É que o "bom" nunca me agradou mesmo. Até mesmo o "ruim", por diversas vezes, passa longe de me agradar. Mas você me agrada. E agrada muito. Mesmo fazendo esse tipo tão comum de cafajeste imperfeito - será esse o meu tipo? - você me agrada. E por isso, me ganha fácil. Me tem quando quer. E é por isso também que, mesmo reconhecendo que você me usa, eu sempre volto. E sempre vou voltar. Porque eu tenho esse impulso que me leva sempre pra perto de ti, e mesmo que eu tente lutar contra isso, já sabemos quem vai ganhar essa luta: você. Da mesma maneira que me ganha: fácil, fácil demais.
Com todo exausto amor de um coração surrado, Valentina.'Terminei de escrever, dobrei o papel e atirei-o ao fogo. Enquanto o via queimar, pensava no quanto era uma pena que você não fosse lê-lo. Cheguei também a conclusão de que escrever é uma dádiva, porque só o papel aguenta o que nem o coração aguenta mais. Quando vi que restava apenas pó, levantei e fui até meu quarto dormir um pouco. "Nada que um bom sono não possa curar", pensei.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Essa moça tá decidida a se supermodernizar!
O tempo vai passando e a gente nunca para pra prestar atenção no quanto vamos mudando. Não nos preocupamos em notar o quão rápido nossa personalidade e nossos conceitos vão ganhando moldes diferentes. O estranho é que a gente vai mudando tão silenciosamente que nem percebe! E quando se dá conta, já não reconhece mais o que era. E pior ainda, é quando a gente vai se distanciando de quem e do que gosta, chegando a um ponto que você não sente mais a essência do outro. É complicado, mas é o ciclo natural das coisas. Não mudar significa não arriscar, e não arriscar é não evoluir! Por mais que as mudanças signifiquem deixar algo pra trás, são necessárias pra que coisas novas possam surgir. Coisas boas e ruins, porque como dizia Nietzsche: "o que não me destrói, me fortalece", e são nas inconstâncias da vida que encontramos os maiores aprendizados. Em uma de suas letras, Humberto Gessinger disse: "E hoje eu sei, só a mudança é permanente"! Nunca concordei tanto com uma frase. Vivemos em constante mudança, porque mudança é amadurecimento! Mudar é vital, mudar é experimentar e experimentar é viver!
E já que estamos falando de mudança, nada melhor que uma música de Francisco Buarque (dono do meu coração!) que fala sobre a mudança interior de uma tal moça. :)
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Uma história de amor épica
Quem me conhece sabe o quão viciada eu sou em um bom seriado. E bom seriado, pra mim, é sinônimo de One Tree Hill!! O enredo principal da série pode não ser muito atrativo (conta a história de dois irmãos criados por mães diferentes, onde "o bonzinho" foi abandonado pelo pai e o outro, riquinho e metido, costumava ser o "bad boy" do colégio), mas o drama individual de cada personagem é bastante interessante. O protagonista da série, Lucas Scott (o irmão bonzinho), é escritor. Na quinta temporada, em um dos meus episódios favoritos, ele escreve seu segundo livro, chamado "O Cometa". O livro conta a história de um menino que vê um cometa passando e fica encantado. Ele diz que a passagem desse astro trouxe "direção, beleza e significado" a sua vida. O tempo passa, e em todas as noites o menino vai de encontro ao céu, esperando pra ver o cometa novamente. Os cientistas e estudiosos o dizem que esse cometa jamais passará pelo nosso céu de novo, mas o menino continua esperançoso, todos os dias esperando por ele. Até que um dia, finalmente, o cometa volta, trazendo crença no amor de volta ao coração do menino. O engraçado, é que nem o próprio Lucas que escreveu a história percebe que isso tudo não passa de uma metáfora. Ele, inconscientemente, deixou escapar a relação entre o objeto de fixação do eu-lírico e a pessoa por quem ele mesmo é apaixonado. O cometa faz relação à mulher a quem Lucas ama, que dirige um carro "Cometa". Ele faz uma linda declaração à ela, e nem ao menos percebe! Isso levantou para mim uma grande questão: será que o que desperta nossa criatividade são nossos problemas e desejos secretos, decodificados pelo nosso subconsciente? Talvez sim, talvez não. Talvez. Enfim, durante a série um dos trechos do livro é mencionado, e ele diz o seguinte:
"Era mais do que um cometa, pelo que trouxe para a vida dele: direção, beleza e significado. Tiveram muitos que não puderam entender, e às vezes ela até passou por eles. Mas até nas suas piores horas, ele sabia em seu coração que algum dia, iria voltar para ele. E seu mundo estaria completo de novo. E sua crença no amor e na arte divina renasceria em seu coração"..
Como diz um outro personagem da série: é uma história de amor épica! É lindo, é puro, é literatura!!!
"Era mais do que um cometa, pelo que trouxe para a vida dele: direção, beleza e significado. Tiveram muitos que não puderam entender, e às vezes ela até passou por eles. Mas até nas suas piores horas, ele sabia em seu coração que algum dia, iria voltar para ele. E seu mundo estaria completo de novo. E sua crença no amor e na arte divina renasceria em seu coração"..
Como diz um outro personagem da série: é uma história de amor épica! É lindo, é puro, é literatura!!!
Que seja... 2013!!
Como costumo fazer desde o final de 2010, escrevo em um papel minhas expectativas para o ano seguinte. Ano novo, vida nova, novas experiências... Engraçado que desde que li o livro "Os dragões não conhecem o paraíso" de Caio Fernando de Abreu (meu clichê favorito!), sempre inicio esses textos de fim de ano com a frase "Que seja doce!". Mas o que deve ser doce? Ao certo, eu não sei. Nem o próprio Caio sabia! Mas mesmo sem saber, eu continuava pedindo. Talvez porque tudo que é doce me traga boas sensações. Ou talvez seja apenas porque as belas palavras de Caio me convenceram de que era "o doce" que eu queria para minha vida. Mas esse ano eu resolvi fazer diferente. Esse ano, ao invés de escrever o que almejo para o ano novo, fiz uma lista de coisas que eu resolvi deixar no passado. Escrevi tudo aquilo que eu não quero em 2013! Uma lista atípica para um ano atípico, pensei. Não quero trazer expectativas que serão frustradas, não quero fazer planos que não acontecerão. Por esses motivos, não pedi que 2013 fosse doce. Não quero o doce, o doce enjoa, o doce passa, o que é doce trás uma dor na barriga, igualzinho a dor que nós sentimos quando nossos sonhos perdem o rumo. Daí decidi parar de pedir que seja doce, e pedir apenas que seja!! Feliz ano novo!! E que seja! Apenas seja!!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Um nunca quase-amor.
Agora, mais do que nunca, eu tinha certeza de que não fomos destinados para ficarmos juntos. E isso é triste. Muito triste. Primeiro, porque eu sei que nunca vou amar alguém como amo você. Isso soou clichê, eu sei, e talvez seja, mas é a verdade. Segundo, porque eu não sei com quem mais teria essa intimidade que a gente tem um com o outro, que nos torna tão próximos a ponto de nos entregarmos por inteiro, mas que ainda nos deixa tão distantes, a ponto de não conversarmos sobre nossos sentimentos. Um dia desses acabei lendo algo que você escreveu para uma das suas garotas há alguns anos atrás. Isso me fez pensar o que diabos eu estava fazendo! Acho que em meu desespero por te ter, comecei a te buscar da forma errada, e agora não sei mais discernir até que ponto eu posso ter você, sabe? Porque eu sei que posso ter seu corpo. Sempre soube. Mas nunca tive certeza se posso ter o seu coração. A gente se conhece tão bem em relação ao toque, ao desejo... mas enquanto aos dengos? Enquanto ao cheiro do perfume que usamos pra dormir? Será que a gente sabe do outro a esse ponto? Eu creio que não. Pior, eu sei que não. Mas eu prefiro acreditar que isso ainda é uma dúvida pra mim, mesmo já sendo uma certeza. É duro de admitir, mas tudo que a gente construiu foram vontades. Nada de amor, nem de paixões, mas de vontades. De urgência pelo outro, sabe? Mas essa urgência ao ser suprida, ela passa. Essa vontade vai embora algum dia. E o que vai restar é apenas o sentimento - mas que sentimento? O meu. E eu tenho certeza ao afirmar que ele é meu, apenas meu. Porque nós não temos, nem nunca tivemos, um amor. Nós não temos nem se quer um quase-amor, uma coisa provável. O que nós temos em comum é só desejo. Porque você não é e nem nunca foi meu. Você brinca de ser meu, mas no fim do dia, eu continuo só.
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